Sistema SAC: o que é e quando vale a pena escolher

26 de February de 2026

Quando você financia um imóvel, o banco te oferece dois sistemas pra calcular a parcela mensal: SAC (Sistema de Amortização Constante) e Tabela Price. A escolha entre os dois pode significar dezenas de milhares de reais de diferença ao final do contrato. Neste artigo, vamos focar no SAC — o sistema que a Caixa usa por padrão e que, na maioria das vezes, é o que paga menos juros no total.

Como o SAC funciona, na prática

No SAC, o valor que você devolve ao banco do principal (a parte do dinheiro que de fato amortiza o imóvel) é sempre o mesmo todo mês. O que muda é a parte de juros: como você deve menos a cada mês que passa, os juros sobre o saldo devedor vão diminuindo. Resultado: a parcela começa alta e cai um pouco a cada mês.

Vamos pegar um exemplo simples. Imagine um financiamento de R$ 200.000, prazo de 240 meses (20 anos), juros de 10% ao ano (cerca de 0,8% ao mês):

  • Parte do principal por mês: R$ 200.000 ÷ 240 = R$ 833,33 (constante)
  • Primeira parcela: R$ 833,33 + R$ 1.600 (juros sobre R$ 200.000) ≈ R$ 2.433
  • Última parcela: R$ 833,33 + R$ 6,66 (juros sobre R$ 833) ≈ R$ 840

Veja como a parcela final é quase um terço da inicial. Esse é o desenho do SAC: parcela alta no começo, alívio no fim.

Por que o SAC paga menos juros no total

Como você devolve mais principal logo no início, o saldo devedor cai mais rápido. Juros são sempre calculados sobre o saldo: saldo menor = juros menores. No mesmo financiamento de R$ 200 mil em 20 anos a 10% a.a., o SAC custa cerca de R$ 200 mil em juros, enquanto a Price custa cerca de R$ 234 mil. Diferença de R$ 34 mil só por causa do sistema escolhido.

Quando o SAC é a melhor escolha

O SAC vale a pena pra você se:

  • Você suporta a parcela inicial alta. Como ela vai cair, você precisa caber no orçamento hoje, mesmo que daqui a 5 anos vá sobrar mais dinheiro.
  • Você pretende segurar o financiamento por muito tempo. Quanto mais perto do fim do prazo, mais o SAC se mostra superior em juros economizados.
  • Você quer flexibilidade pra amortizar depois. No SAC, abatimentos extraordinários têm efeito mais previsível porque a parcela do principal já é fixa.

Quando NÃO escolher SAC

Se a parcela inicial estoura seu orçamento ou se a renda da sua família está apertada nos primeiros anos pós-compra (tem gente que ainda tá mobiliando, comprando eletrodoméstico, fazendo reforma), a Tabela Price entra como alternativa. Parcelas iguais do começo ao fim — previsibilidade total, embora com juros maiores no acumulado.

Como o banco apresenta o SAC pra você

Na simulação do banco, peça sempre as duas tabelas — SAC e Price — pro mesmo prazo. Compare:

  • Parcela inicial e parcela final
  • Total de juros pagos ao final
  • CET (Custo Efetivo Total), que inclui seguros e tarifas

Tem banco que esconde a tabela SAC porque ela rende menos juros pra eles. Você tem direito de pedir.

Atenção ao seguro MIP e DFI

Em ambos os sistemas, todo mês você paga dois seguros embutidos na parcela: MIP (cobre morte e invalidez do tomador) e DFI (cobre danos físicos ao imóvel). No SAC, como o saldo devedor cai mais rápido, esses seguros também tendem a diminuir ao longo do tempo (especialmente o MIP). Mais uma vantagem que poucos comentam.

Resumo prático

O SAC é, na grande maioria dos casos, o sistema que devolve mais dinheiro pro seu bolso ao longo do financiamento. A única razão real pra escolher Price é quando a parcela inicial do SAC não cabe na sua renda atual. Se cabe — vai de SAC e respira no final. Se não cabe — escolhe Price, mas amortiza extraordinariamente sempre que sobrar dinheiro pra reduzir o impacto dos juros maiores.

Dica final: nunca decida pelo financiamento só pelo valor da primeira parcela. Olhe o total a pagar no fim. R$ 200 a mais por mês no início pode significar R$ 30 mil a menos no total. Imóvel é decisão de longo prazo — pense em décadas, não em meses.