ITBI: o imposto que ninguém te conta antes de comprar
08 de March de 2026
Você viu uma casa, fez proposta, conseguiu o financiamento. Tudo certo. Aí na hora de marcar a escritura aparece um boleto inesperado da prefeitura: R$ 9.000 de ITBI num imóvel de R$ 300 mil. Esse é o imposto que ninguém comenta antes da hora — e que você precisa estar preparado pra pagar.
O que é o ITBI
ITBI significa Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis. É um tributo municipal cobrado toda vez que um imóvel muda de dono com pagamento envolvido — venda, troca com torna, dação em pagamento. Heranças e doações têm outro imposto (ITCMD, estadual).
Cada município define sua alíquota e sua base de cálculo. As alíquotas mais comuns no Brasil ficam entre 2% e 3% do valor do imóvel. São Paulo cobra 3%. Belo Horizonte cobra 3%. No interior do Ceará a maioria das prefeituras cobra entre 2% e 2,5%.
Sobre qual valor o ITBI é calculado
A prefeitura cobra o ITBI sobre o maior dos três valores:
- Valor declarado na escritura (o que vocês negociaram)
- Valor venal do imóvel (cadastro municipal pra IPTU)
- Valor de referência ou avaliação fiscal (se a prefeitura tiver tabela própria)
Resultado prático: se você comprou por R$ 200 mil mas a prefeitura avalia o imóvel em R$ 250 mil, o ITBI vai sobre R$ 250 mil. Isso evita que vendedor e comprador combinem um valor "oficial" mais baixo pra fugir do imposto.
Quem paga: comprador ou vendedor?
A lei diz que quem paga é o comprador, salvo combinação diferente no contrato. Mas atenção: na prática, alguns vendedores aceitam dividir ou até pagar inteiro como parte da negociação. Isso entra no contrato como cláusula expressa — sem isso, é o comprador que arca.
Quando pagar o ITBI
O ITBI tem que ser pago antes da escritura definitiva ser lavrada no cartório. O cartório, aliás, vai exigir o comprovante de pagamento — sem ele não passa escritura. Por isso, normalmente o pagamento acontece poucos dias antes da assinatura, junto com:
- Custas do tabelionato (escritura)
- Custas do cartório de registro de imóveis
- Eventuais taxas administrativas
Some tudo: ITBI + escritura + registro = entre 4% e 6% do valor do imóvel. Esse é o "custo de fechamento" que ninguém menciona. Reserve esse valor à parte da entrada e do financiamento.
Quem tem isenção ou redução
Algumas situações dão direito a desconto ou isenção do ITBI:
- Programas habitacionais (Minha Casa Minha Vida e similares): a maioria das prefeituras oferece isenção total ou redução parcial pra primeira aquisição em programa social. Confirme na prefeitura local.
- Primeira aquisição com financiamento SFH: algumas cidades reduzem alíquota pra metade quando é a primeira compra financiada pelo Sistema Financeiro de Habitação. Não é regra geral — depende do município.
- Transferência por separação ou divórcio: divisão de bens não é venda, então não incide ITBI sobre a meação.
- Integralização de capital social em empresa: imóvel transferido pra integralizar capital de PJ tem isenção (Constituição art. 156, §2º), com algumas condições.
Como saber o valor exato no seu caso
Tem três caminhos:
- Site da prefeitura: a maioria já tem simulador online de ITBI. Você informa o valor da transação e o sistema devolve o boleto.
- Cartório de notas: ao agendar a escritura, o tabelionato calcula e te orienta.
- Telefone direto pra Secretaria de Finanças do município: se a cidade não tem sistema online, é o caminho.
Riscos de não pagar ou pagar errado
Sem ITBI quitado:
- Não sai escritura
- Não sai registro no cartório de imóveis
- Você não vira oficialmente o dono
- O imóvel continua em nome do vendedor — com todos os riscos jurídicos disso
Tem gente que só faz contrato particular pra economizar ITBI hoje. Anos depois, quando precisa vender ou financiar, descobre que não pode — porque oficialmente nunca foi dono. Pague o ITBI. Faça a escritura. Registre.
Resumo
O ITBI é parte inevitável do custo de comprar imóvel — entre 2% e 3% do valor, paga uma vez só, antes da escritura. Inclua isso no seu cálculo desde o início pra não ter surpresa. Pesquise se sua compra dá direito a alguma isenção. E nunca, jamais, pule a etapa da escritura pra fugir do imposto: o "barato" sai caro quando você tenta vender ou regularizar anos depois.